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Bancári@s não aceitam retirada de direitos tentada pela Fenaban

12/08/2020, 12:31
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Negociação desta terça-feira foi sobre saúde no trabalho com base em pesquisa na categoria · Categoria apresentou propostas para preservar vida durante a…

**Negociação desta terça-feira foi sobre saúde no

trabalho com base em pesquisa na categoria**

·

Categoria apresentou propostas para preservar

vida durante a pandemia

·

Metas abusivas e pressão no ambiente de trabalho

provocam doenças entre os bancári@s

·

Bancos querem retroceder conquistas que já

existem na CCT

·

Comando

Nacional d@s Bancári@s não aceitará retirada de direitos

O Comando

Nacional d@s Bancári@s voltou a negociar nesta terça-feira (11)

com os representantes da Federação nacional dos Bancos (Fenaban). O tema foi

Saúde e Condições de Trabalho. Enquanto os representantes da categoria

apresentaram propostas para enfrentar os problemas de saúde dos bancários,

provocados pelas condições de trabalho, metas abusivas e a ameaça da pandemia,

a Fenaban defendeu a retirada de direitos conquistados.

As propostas apresentadas pelo

Comando foram baseadas em consulta nacional feita este ano com quase 30 mil

bancári@s. Cansaço e fadiga produzidas por metas abusivas, cobranças

excessivas, ansiedade, dores de cabeça e outros males têm se agravado ao logo

do tempo entre @s bancári@s.

“Estamos preocupados, com o adoecimento

da categoria. Não dá para falar desse tema sem falar da pandemia, da crise

sanitária que não tem dia para acabar porque não tem uma vacina ainda”, afirmou

a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro

(Contraf-CUT), Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional. Entre as

propostas apresentadas está a de que bancári@s que coabitam com parentes

de grupos de risco trabalhem em regime de home office (teletrabalho). Na

reunião também foi proposto pelo Comando que os bancos realizem testes do covid

para todos os funcionários que estão em trabalho presencial.

Doenças

As metas abusivas foram

apresentadas pelos representantes da categoria como responsáveis por inúmeras

doenças, conforme dados da consulta feita entre os trabalhadores. Mais da

metade dos entrevistados sofriam de cansaço e fadiga constante, resultado da

cobrança excessiva pelo cumprimento de metas. A maioria também padecia de crise

de ansiedade.

Mesmo com o quadro de adoecimento

da categoria, os representantes dos bancos se mostraram pouco dispostos a

aceitar as propostas. Sobre o teletrabalho para bancários que convivem com

parentes de grupos de risco, os representantes da Fenaban disseram preferir não

criar uma regra padrão sobre a questão. “O pessoal do grupo de risco tem que

ficar em casa. Se alguém convive com eles, essa pessoa não pode estar exposta.

Queremos preservar a vida dos familiares dos bancári@s”, disse Juvandia na

negociação.

Retirada de direitos

Os representantes dos bancos

também apresentaram propostas que significam, na prática, a retirada de

direitos da categoria bancária. Uma delas é reduzir de 120 para 90 dias o

pagamento de benefício emergencial de salário pelos bancos para os

funcionários, enquanto o bancário recorre de alta indevida pelo INSS. Outro

retrocesso proposto pela Fenaban foi a volta do rankeamento dos trabalhadores,

com a divulgação dos “melhores” funcionários. A Convenção Coletiva de Trabalho

(CCT) proíbe a divulgação de ranking por causar o constrangimento, assédio

moral e pressão no ambiente de trabalho.

Outra clausula da CCT que a

Fenaban quer mudar é a que regula a complementação salarial em caso de

afastamento para tratamento quando o benefício seja menor que o salário. Até

agora, o funcionário pode ter essa complementação por 24 meses. A proposta da

Fenaban é de que passe a ter uma carência de 12 meses entre um afastamento e

outro, para que seja pago a complementação (retornando ao trabalho). “Estávamos

querendo apenas mudar a redação da cláusula 57 para adequar à nova realidade do

INSS, para atualizá-la e eles vieram com esse ‘contrabando’. Eles querem se

livrar dos doentes”, afirmou o diretor de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT,

Mauro Salles.

Tentativa de mudanças

Para Juvandia Moreira, nas

últimas campanhas salariais a Fenaban tenta piorar essas cláusulas. “Eles não

estão olhando para a saúde dos bancári@s só vêem o custo. Querem retirar

direitos das pessoas que estão doentes. A negociação não foi boa. A gente vai

insistir que tenha teste para todos, proteger a família dos bancári@s que

coabitam com grupo de risco” disse a presidenta da Contraf-CUT.

Outra preocupação do Comando foi

com a suspensão dos exames periódicos em casos de afastamento por motivos de

saúde ou por homologação.

Os representantes da Fenaban

disseram que a suspensão é para evitar o contágio na pandemia. “Tem bancos

chamando os bancários de volta ao trabalho presencial. Não tem problema de

contaminação? Tenho vários colegas que estão sendo ameaçados por abandono de

emprego porque não têm exame de retorno”, falou Mauro Salles.

Ao final, a negociação desta

terça-feira mostrou que a categoria bancária precisa se unir para fortalecer a

negociação com a Fenaban. “Não vamos aceitar retirada de direitos. Não tem

cabimento isso, com pessoas que estão adoecidas. @s bancári@s não vão aceitar”,

afirmou Juvandia.

Fonte: Contraf

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