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Reforma Trabalhista na Argentina: Um Alerta para o Brasil

20/02/2026, 09:19
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A recente reforma trabalhista em andamento na Argentina, sob o governo de Javier Milei, tem gerado intensos debates e forte reação do movimento sindical. Para os trabalhadores brasileiros, em especial a categoria bancária, a situação no país vizinho serve como um alerta sobre os perigos da flexibilização excessiva e da perda de direitos conquistados. Este artigo analisa os principais pontos da reforma argentina, traça um paralelo com a legislação brasileira e a luta pelo fim da jornada 6x1, e destaca a visão do movimento sindical sobre os impactos na vida dos trabalhadores.

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## A Reforma Argentina: Um Ataque aos Direitos Trabalhistas

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A reforma trabalhista proposta por Milei, aprovada com modificações pela Câmara dos Deputados em 20 de fevereiro de 2026, representa uma das mais amplas alterações na legislação laboral argentina desde a redemocratização. O governo argumenta que as mudanças são necessárias para modernizar as relações de trabalho e incentivar a criação de empregos formais. No entanto, para os sindicatos, a reforma representa um retrocesso histórico e um ataque direto aos direitos dos trabalhadores. As principais diretrizes da nova legislação trazem mudanças profundas na estrutura das relações laborais, incluindo a flexibilidade no período de férias, que passa a permitir o fracionamento em períodos mínimos de sete dias, e a extensão do período de experiência para até seis meses (podendo chegar a um ano em empresas menores). Além disso, a reforma impõe limites severos às paralisações em setores estratégicos, obrigando um funcionamento mínimo de 50% a 75%, o que reduz significativamente o impacto das mobilizações sindicais. Outro ponto central é a flexibilização da jornada de trabalho e a instituição do "banco de horas". A carga horária diária pode ser estendida para até 12 horas, desde que o intervalo de descanso seja respeitado, permitindo que o excesso de trabalho seja compensado com folgas futuras, sem a necessidade de pagamento de horas extras imediatas. A reforma também privilegia acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, enfraquecendo as convenções coletivas nacionais, e altera o cálculo das indenizações por demissão, permitindo o parcelamento dos pagamentos. É importante notar que, após pressão no Congresso, o governo retirou pontos polêmicos, como o pagamento de salários em moeda estrangeira e a tentativa de reduzir pela metade o salário de trabalhadores afastados por doenças ou acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho, mantendo a cobertura integral nesses casos.

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## O Contraste com o Brasil e a Luta pelo Fim da Jornada 6x1

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Enquanto a Argentina avança em uma agenda de flexibilização, no Brasil, o debate se concentra na necessidade de reduzir a jornada de trabalho e combater o desgaste físico e mental dos trabalhadores. A jornada 6x1, comum em setores como o comércio e serviços, é um exemplo de como a organização do trabalho pode impactar negativamente a saúde e a vida social dos trabalhadores. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, que propõe a redução da jornada para 36 horas semanais no modelo 4x3, sem redução salarial, é uma das principais bandeiras do movimento sindical brasileiro. A luta pelo fim da jornada 6x1 é uma luta por mais qualidade de vida, mais tempo para a família e o lazer, e, acima de tudo, por mais saúde e bem-estar para a classe trabalhadora.

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## A Visão do Sindicato Bancário: Alerta e Mobilização

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Para Hudson Bretas, vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Itaperuna e Região, o que acontece na Argentina é um reflexo do que pode ocorrer no Brasil com a ascensão de governos de direita e extrema direita. "O cenário argentino nos mostra o perigo de um projeto político que visa a retirada de direitos e a precarização do trabalho. É fundamental que a classe trabalhadora se mantenha unida e mobilizada para defender suas conquistas", ressalta ainda a importância de um governo progressista e de um Congresso Nacional forte e comprometido com as pautas sociais. "Precisamos de um governo que dialogue com os trabalhadores e que fortaleça a proteção social. E, para isso, é essencial elegermos deputados e senadores que estejam do nosso lado, que defendam os nossos direitos e que ajudem a construir um país mais justo e igualitário para todos", conclui.

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